terça-feira, 23 de setembro de 2008

SEIS ANOS DE NOTÍVAGOS

No dia 23 de setembro de 2002 Sheyla Coelho entrou em cena no palco do Teatro Nelli com uma sacola de supermercado, uma bolsa e a correspondência. O telefone tocou. Quando ela se aproximou para atendê-lo, ele parou de tocar. Foi para o quarto, tirou o casaco e o pendurou no armário, sentou na cama, tirou os sapatos e massageou os pés. Colocou um par de chinelos, foi até o aparelho de som, colocou uma música do Velvet Underground (I´ll be your mirror) e foi para cozinha preparar um Miojo.


Era a estréia da peça "Um dia de semana qualquer". A primeira peça da Quadrilha de Teatro Notívagos Burlescos. Em 2002 eu ainda estava trabalhando em São Paulo e no intervalo de uma peça e outra eu vim passar um tempo em Botucatu. As inscrições para um festival na cidade estavam abertas e resolvi montar com minha irmã uma adaptação de um texto do dramaturgo alemão Franz Xaver Kroetz, “Concerto a Pedido”. A peça era um monólogo sem falas, somente ações, e mostrava o último dia da vida de uma mulher que vivia sozinha em um apartamento no centro de uma grande cidade. No meio do caminho chamei o Erick pra dar uma força na parte técnica. Afinal a idéia era procurar seguir a proposta do Kroetz e montar um espetáculo hiper-realista. Ou seja, ia ter de tudo no palco: sala, cozinha (Com geladeira e fogão funcionando), quarto, banheiro... É, até banheiro tinha! A gente conseguiu um gabinete de cozinha, uma pia de banheiro e um assento sanitário emprestado de uma casa de material de construções. O resto era tudo da minha casa. Ah, o guarda-roupa tava no porão do Nelly.

Erick, eu e Sheyla com Humberto Magnani na premiação.


A Sheyla levou o prêmio de melhor atriz e eu o de melhor diretor. E assim nasceu a Quadrilha que hoje completa seis anos. Longa vida ao Notívagos Burlescos! É nóis.

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